GDF amplia plataforma DF 360 com reconhecimento facial, drones e modernização das centrais 190 e 193

Nova fase do sistema reforça número de câmeras, moderniza atendimento de emergência e permite identificação de foragidos em tempo real

Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

O Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF), apresentou nesta sexta-feira (27) a ampliação da plataforma DF 360, que passa a contar com drones, câmeras com reconhecimento facial e placas, além da modernização dos sistemas de atendimento 190 (Polícia Militar) e 193 (Corpo de Bombeiros). A medida reforça o monitoramento integrado e consolida a transição para uma atuação mais proativa na segurança pública do Distrito Federal.

Durante a apresentação, a vice-governadora Celina Leão apontou que a iniciativa tem o objetivo de incorporar o que há de mais moderno em sistemas de monitoramento. “Eu tenho certeza que isso vai ampliar a atuação da nossa segurança pública, trazendo mais efetividade e rapidez no atendimento, além de fortalecer a cooperação com os Conselhos Comunitários de Segurança, com as administrações regionais e com o trabalho de planejamento estratégico”, destacou.

Celina Leão: “Eu tenho certeza que isso vai ampliar a atuação da nossa segurança pública, trazendo mais efetividade e rapidez no atendimento, além de fortalecer a cooperação com os Conselhos Comunitários de Segurança, com as administrações regionais e com o trabalho de planejamento estratégico” | Fotos: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

“Agora, em parceria com a Secretaria de Educação e a Secretaria de Saúde, pastas que precisam de uma atenção reforçada, vamos garantir que, na ponta, haja um sistema capaz de identificar, inclusive por meio de inteligência artificial (IA), ações de violência e de crime. É isso que estamos apresentando hoje: um programa de integração com tecnologia embarcada voltado para a segurança pública e para dar mais agilidade aos atendimentos”, acrescentou.

Atualmente, a SSP-DF dispõe de 1.350 câmeras próprias, distribuídas nas 35 regiões administrativas. A secretaria também conta com 50 licenças de software de inteligência artificial, que podem ser aplicadas a qualquer equipamento, a partir de comandos específicos e estratégicos que auxiliam na identificação de situações suspeitas e no apoio à tomada de decisão. Está prevista, ainda, a instalação de mais mil câmeras em diferentes pontos do DF.

“Agora, em parceria com a Secretaria de Educação e a Secretaria de Saúde, pastas que precisam de uma atenção reforçada, vamos garantir que, na ponta, haja um sistema capaz de identificar, inclusive por meio de inteligência artificial, ações de violência e de crime”, Celina Leão, vice-governadora do DF

A rede é reforçada por mais de 250 câmeras parceiras que permitem o compartilhamento de imagens de estações do metrô, terminais rodoviários, unidades de saúde e áreas residenciais e comerciais. O monitoramento ocorre 24 horas por dia no Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob), com o apoio de centrais instaladas em batalhões da PMDF, grupamentos do Corpo de Bombeiros e delegacias da Polícia Civil.

O secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, afirmou que as câmeras que passarão a operar com tecnologia de reconhecimento facial por meio de inteligência artificial se somam a um acordo firmado com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que permitirá acesso direto ao banco de dados de mandados de prisão em aberto. “No DF, além de não permitirmos a formação de novos criminosos, não vamos permitir que foragidos se escondam”, enfatizou.

De acordo com o secretário, o sistema possibilita monitoramento em todas as regiões administrativas, tanto para prevenir crimes quanto para identificar autores após a ocorrência. Ele explicou que, no último ano, a pasta operou com apenas oito licenças de inteligência artificial em caráter experimental. Mesmo assim, o recurso contribuiu para mais de 30 prisões, feitas, segundo ele, com cautela para evitar equívocos.

Com a ampliação para 50 licenças, a tecnologia poderá ser aplicada às 1.350 câmeras próprias da SSP-DF, além dos mais de 250 equipamentos de órgãos públicos parceiros e, futuramente, de entidades privadas que aderirem ao sistema. “Se com oito licenças conseguimos mais de 30 prisões em um ano, com 50 poderemos avançar ainda mais”, reforçou.

Sobre os chamados prompts — comandos específicos usados para acionar a inteligência artificial, o secretário ressaltou que a ferramenta permite direcionar o monitoramento para situações estratégicas, como identificação de pessoas com mandado de prisão em aberto, detecção de comportamentos suspeitos em áreas sensíveis ou busca por características específicas previamente cadastradas no sistema. Segundo ele, é essa capacidade de direcionamento que torna a tecnologia um diferencial na política de segurança pública do DF.

Sandro Avelar explica que, no último ano, a pasta operou com apenas oito licenças de inteligência artificial em caráter experimental. Ainda assim, o recurso contribuiu para mais de 30 prisões, feitas, segundo ele, com cautela para evitar equívocos

Em relação ao atendimento ao cidadão, os canais 190 e 193 passam a utilizar geolocalização de altíssima precisão via celular e encaminham automaticamente o protocolo de atendimento pelo WhatsApp. A rede integra sistemas como o Sinesp-CAD, aplicativos como Uber e RapidSOS, que permite o recebimento automático da localização do veículo e dados do motorista e passageiro em situações de emergência, além de atender prioritariamente mulheres amparadas por medidas protetivas por meio do Projeto Viva-Flor.

Nas ruas, os agentes contam com um módulo de consulta integrada que reúne dados de diversas bases em uma única interface, com checagem instantânea de veículos, antecedentes e identificação biométrica facial.

“No DF, além de não permitirmos a formação de novos criminosos, não vamos permitir que foragidos se escondam”, Sandro Avelar, secretário de Segurança Pública do DF

Segurança 

Todo o processo segue as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 13.709/2018) e as normas específicas aplicáveis ao poder público. O tratamento das informações ocorre com base em finalidade legítima, voltada à segurança pública e ao cumprimento de dever legal, com acesso restrito a servidores autorizados e devidamente capacitados.

As imagens captadas pelas câmeras próprias da SSP-DF permanecem armazenadas por até 30 dias. Já as imagens provenientes de câmeras parceiras ficam disponíveis por até 72 horas, conforme os termos de cooperação firmados. Os parceiros não têm acesso às imagens de outros integrantes da rede nem ao sistema integrado da secretaria, o que garante a segregação das informações e o controle rigoroso sobre quem pode visualizar cada conteúdo.

Entenda

A iniciativa busca contribuir para a construção de ambientes mais seguros, promover o exercício das liberdades individuais e coletivas, o controle de desordens e o fortalecimento da coesão social. O monitoramento é realizado de forma integrada entre as forças de segurança e mais de 30 órgãos, instituições e agências do governo local e federal, voltado para os seguintes objetivos:

– Prevenir crimes e contravenções penais;

– Fortalecer os mecanismos de investigação criminal;

– Otimizar ações de manutenção da ordem pública e da incolumidade das pessoas, do patrimônio e do meio ambiente;

– Aperfeiçoar o controle do tráfego urbano;

– Auxiliar os serviços de emergência;

– Ampliar a vigilância ambiental;

– Apoiar ações de fiscalização dos órgãos e entidades vinculados ao Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob);

– Apoiar ações da Defesa Civil.

O sistema é estruturado em módulos integrados e complementares, concebidos para oferecer uma solução completa de segurança pública, que abrange desde o atendimento às demandas do cidadão até a atuação policial proativa

Para orientar a expansão e a definição dos pontos de instalação, o programa utiliza como critério central os relatórios de análise produzidos pela Subsecretaria de Gestão da Informação (SGI), que identificam as chamadas “manchas criminais”. Além disso, considera variáveis como relevância estratégica dos locais, viabilidade técnica e sugestões das autoridades policiais das respectivas áreas (Polícia Militar e Polícia Civil), que participam da validação dos pontos propostos. A participação popular e as demandas de outros órgãos públicos também são incorporadas ao processo, para garantir um planejamento integrado e alinhado às necessidades reais da comunidade.

Como funciona

O sistema é estruturado em módulos integrados e complementares, concebidos para oferecer uma solução completa de segurança pública, que abrange desde o atendimento às demandas do cidadão até a atuação policial proativa.

O módulo de Parcerias amplia a capacidade de vigilância ao integrar câmeras já existentes, administradas por órgãos públicos e instituições privadas, ao sistema da Segurança Pública, o que permite o compartilhamento de imagens para prevenção e repressão à criminalidade. Já o módulo de Leitura de Placas utiliza cerca de 100 câmeras com tecnologia OCR para identificar veículos em circulação e cruzar, em tempo real, as informações com a plataforma Cortex, do Ministério da Justiça. Quando há correspondência com registros de roubo, furto ou outras ocorrências, o sistema emite alerta imediato com dados e localização do veículo, o que viabiliza a ação policial.

O módulo de Reconhecimento Facial integra câmeras estrategicamente posicionadas ao Banco Nacional de Mandados de Prisão e emite alertas ao identificar foragidos, com envio de dados e localização para despacho de viaturas. O atendimento de emergências (190 e 193) conta com geolocalização precisa via GPS do celular, preenchimento automático de endereço, interface unificada e formulários inteligentes, além de notificações ao cidadão por WhatsApp em etapas do atendimento, exceto em casos sensíveis. A plataforma também se conecta a sistemas como Sinesp-CAD, Uber e RapidSOS, o que garante troca de informações em tempo real, mais agilidade nas respostas, uso estratégico do efetivo e reforço à segurança da população.

Entre esses componentes, destaca-se o módulo mais inovador da solução, voltado à identificação de ameaças em tempo real. Esse módulo realiza o monitoramento inteligente do ambiente, processa dados de forma contínua e gera alertas automáticos e qualificados, o que possibilita resposta policial imediata, inclusive antes mesmo do registro de um chamado ao 190.

Conexão Digital Brasília/Agência Brasília