Com ampliação de mais 90 km, malha cicloviária do DF estimula a economia sustentável

Com 745 km já implantados, programa Vai de Bike prevê novas conexões; capital já tem a segunda maior malha do país. Investimentos neste ano passam do R$ 50 milhões

Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

Com a segunda maior malha cicloviária do país, o Distrito Federal deve ampliar ainda mais a rede. O Governo do Distrito Federal (GDF) prevê investir cerca de R$ 56 milhões e construir aproximadamente 90 quilômetros de novas ciclovias até o fim deste ano, dentro do programa Vai de Bike. Atualmente, o DF já conta com 745 km de ciclovias e ciclofaixas, atrás apenas de São Paulo.

O secretário de Transporte e Mobilidade do DF, Zeno Gonçalves, informou que a pasta já aprovou cerca de 30 projetos de ciclovias do programa Vai de Bike, inclusive, trechos destinados à conexão de vias já existentes. “O DF tem uma malha cicloviária extensa, e, com o Vai de Bike, vamos ultrapassar mil quilômetros de vias cicláveis. Além das novas estruturas que acompanham obras rodoviárias, também vamos ligar trechos ainda isolados, para que os ciclistas possam circular entre as regiões administrativas e o Plano Piloto, e tenham a bicicleta como uma opção real de transporte, esporte e lazer”, afirmou.

Sob a coordenação da Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF), as obras do programa são executadas pela Secretaria de Obras e Infraestrutura (SODF) e pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF). Somente neste ano, a SODF já executou cerca de 5,8 quilômetros de ciclovia no trecho entre a SHIS QI 5 Conjunto 20, e a SHIS QI 15 Conjunto 10, no Lago Sul. A continuidade desse percurso, até a QI 25 Conjunto 11, está em fase de terraplenagem, imprimação e aplicação da capa asfáltica. Em breve, os trabalhos seguirão até a Ermida Dom Bosco, o que totaliza aproximadamente 15,8 quilômetros de ciclovia na região.

No Lago Norte, a SODF executa cerca de 8,3 quilômetros de ciclovia no trecho entre a Praça das Garças e a Estrada Parque Península Norte (EPPN), atualmente em fase de terraplenagem. Já em Planaltina, a população contará com um trajeto de 26,6 quilômetros, que liga o Núcleo Rural Fumal ao Balão do Colorado, na BR-020. Nesse caso, os primeiros 8 quilômetros estão em fase de terraplenagem.

Segundo o secretário de Obras e Infraestrutura, Valter Casimiro, o contrato prioriza a construção de novas ciclovias, mas também prevê a manutenção e recuperação dos trechos existentes. “É um investimento em modal limpo, sustentável e cada vez mais presente na rotina da população. A bicicleta reduz a emissão de poluentes, melhora a mobilidade e ainda contribui para a saúde das pessoas”, ressalta.

A infraestrutura cicloviária do DF não se resume a ciclovias isoladas, mas se organiza em diferentes tipos de vias que ampliam as possibilidades de deslocamento. Ao todo, são 509,23 quilômetros de ciclovias, 75,83 quilômetros de ciclofaixas, 61,15 quilômetros de calçadas compartilhadas, 68,57 quilômetros de infraestrutura em parques, 9,05 quilômetros de ciclorrotas e 2,99 quilômetros de áreas com Zonas 30, voltadas à redução de velocidade e maior convivência entre modais.

Expansão

Desde 2019, o DF já superou a marca de 150 quilômetros de novas ciclovias construídas. Parte desse avanço está distribuída em diferentes regiões administrativas e soma 97,7 quilômetros, com intervenções na Epig (12 quilômetros), Hélio Prates (4 quilômetros), Boulevard de Taguatinga (1,1 quilômetro), via de ligação Guará/Bandeirante (1,2 quilômetro), Rota de Fuga do SIA (3,5 quilômetros), Avenida Paranoá (2,7 quilômetros), ESPM (8,5 quilômetros), SOF Sul (1 quilômetro), Riacho Fundo II (13,9 quilômetros), Lago Sul (16,3 quilômetros), Lago Norte (8,3 quilômetros), Sobradinho (26,6 quilômetros) e Cruzeiro (1,3 quilômetro).

A expansão da malha cicloviária tem priorizado a funcionalidade e a integração entre os trechos. “Não adianta ter mil quilômetros de ciclovias se elas não forem funcionais ou não estiverem conectadas. Por isso, em vez de investir apenas em longos trechos isolados, buscamos promover a ligação entre eles”, explicou o presidente do DER-DF, Fauzi Nacfur.

A expansão da malha cicloviária tem priorizado a funcionalidade e a integração entre os trechos | Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

Como exemplo, Fauzi Nacfur citou um circuito já consolidado: “Hoje, o ciclista pode sair da Candangolândia por uma ciclovia, passar pelo Núcleo Bandeirante, seguir pelo Riacho Fundo, chegar ao Pistão Sul, na Universidade Católica, e, de lá, acessar a EPTG. A partir desse ponto, é possível seguir pela EPTG ou optar pelo Pistão Norte, descendo pela Estrutural até a Epia, na altura do viaduto Ayrton Senna, o que forma um circuito de aproximadamente 50 quilômetros.”

Segundo ele, a proposta é garantir condições para que a população possa sair de onde mora e chegar ao centro de Brasília de bicicleta, seja para lazer, prática esportiva ou deslocamento diário. “Também buscamos integrar os trechos cicloviários às estações de metrô e aos corredores de ônibus”, completou.

Para ampliar essa integração com o transporte público, o sistema de bicicletas compartilhadas do DF disponibiliza centenas de bikes, já soma mais de 332 mil usuários cadastrados e acumula mais de 1,25 milhão de viagens. As estações ficam próximas a pontos de embarque e desembarque, como rodoviárias, estações de metrô e do BRT, o que facilita a conexão com o transporte coletivo.

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