Agosto termina com contrastes extremos e calor de até 41ºC

Curitiba pode alcançar 35°C e Porto Alegre não passa dos 19°C

O Distrito Federal enfrenta um período de estiagem e está há 54 dias consecutivos sem precipitações. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a última chuva na capital federal ocorreu em 25 de junho, decorrente de uma massa de ar seco que atua sobre a região Centro-Oeste e inibe a formação de nuvens. Diante do cenário, típico desta época do ano, frentes de trabalho atuam para mitigar os riscos de incêndios florestais por meio de prevenção, monitoramento e combate.
As condições climáticas atuais, marcadas por baixa umidade relativa do ar, temperaturas elevadas nas tardes e ventos de fracos a moderados, reduzem a umidade disponível no solo e na vegetação do Cerrado. Essa combinação aumenta o risco de ignição e acelera a propagação do fogo, o que demanda atenção redobrada.
Temperatura tende a ser amena de manhã, com calor intenso à tarde
Segundo o Inmet, nos próximos dias, a previsão aponta para a persistência das condições dos baixos índices de umidade relativa do ar, com possibilidade de atingir níveis críticos no período da tarde, o que pode motivar a emissão de avisos meteorológicos. Em relação às temperaturas, as tendências apontam para uma estabilidade, com manhãs amenas e tardes de calor intenso, o que mantém elevada a amplitude térmica.
No Plano Piloto, as mínimas oscilam entre 14°C e 16°C, enquanto as máximas variam de 30°C a 31°C. Nas demais regiões do DF, especialmente no Paranoá, as temperaturas mínimas devem ficar, em média, 1°C abaixo das previstas para Brasília, e as máximas tendem a ser, também em média, 1°C acima, com destaque para a região do Gama. Os ventos, de modo geral, sopram com intensidade fraca a moderada em todo o território, com possibilidade de rajadas pontuais.
Ações de prevenção 
Para conter o avanço do fogo nas áreas protegidas, ações contínuas buscam a redução de material combustível. Somente em 2026, equipes técnicas executaram cerca de 300 hectares de queima prescrita e estabeleceram 50 quilômetros de aceiros que funcionam como barreiras de proteção dentro das unidades de conservação (UCs).
A estruturação do planejamento envolve 150 brigadistas com contratos de dois anos para a manutenção dos trabalhos preventivos ao longo de todo o ano, permitindo que as equipes ajam com antecedência ao período crítico de seca para mitigar o risco de incêndios.
Para manter atualizados os registros das áreas das UCs afetadas pelas chamas, o monitoramento utiliza o Programa de Monitoramento de Áreas Queimadas (Promaq), que gera mapas e relatórios periódicos. Entre 2020 e 2024, as áreas que apresentaram maior recorrência de queimadas foram os parques distritais Boca da Mata e Recanto das Emas, a Arie Granja do Ipê, a Floresta Distrital dos Pinheiros e os parques ecológicos Ezechias Heringer, Tororó e Riacho Fundo, além de unidades federais como o Parque Nacional de Brasília, a Floresta Nacional de Brasília e a Reserva Biológica da Contagem.
Operação Verde Vivo 
3.786. Número de ocorrências de incêndio em vegetação registradas até o dia 16 deste mês no DF
A operação Verde Vivo 2026, iniciada em abril com previsão de término em novembro, é estruturada de forma gradual conforme o avanço da estiagem. O foco principal é o monitoramento, a prevenção e o combate aos incêndios. Na fase mais crítica, o planejamento prevê o emprego diário de até 169 combatentes e 35 viaturas, além de equipamentos especializados, aeronaves e drones.
Em situações de grandes proporções que demandem reforço de pessoal, estima-se a mobilização de um contingente adicional de até mil profissionais dedicados ao combate de incêndios florestais. No monitoramento de áreas vulneráveis, empregam-se recursos tecnológicos como câmeras, imagens de satélite, aeronaves tripuladas e drones.
Até o dia 16 deste mês, o DF contabilizou 3.738 ocorrências de incêndio em vegetação. Desse total, 3.270 chamados ocorreram durante o período da operação Verde Vivo, com picos em julho (1.096 ocorrências) e agosto (1.012 ocorrências até o dia 16). Os números atuais mostram-se inferiores aos do mesmo período de 2025, quando o DF registrou 4.346 ocorrências até 16 de agosto, sendo 3.512 no decorrer da operação daquele ano.
Impacto ambiental e legislação
Os incêndios descontrolados provocam danos ambientais. O fogo causa a perda de biomassa, degradação do solo pela queima de matéria orgânica superficial — o que estimula a erosão e o assoreamento de cursos d’água, além de alterar a estrutura da vegetação lenhosa e reduzir a fauna nativa.
Multa por provocar queimadas irregulares pode passar de R$ 50 mil
A fumaça gerada também compromete a qualidade do ar, provocando desconforto respiratório para a população urbana. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) durante o incêndio no Parque Nacional de Brasília em 2024 registrou alteração na qualidade do ar e na rotina dos moradores da capital.
A legislação estabelece sanções para quem provocar queimadas irregulares. O uso do fogo para fins agropastoris sem autorização legal sujeita o responsável a multas de R$ 1.000 por hectare ou fração, conforme o Decreto Federal nº 6.514/2008. Caso o fogo atinja áreas sob proteção legal, como unidades de conservação e áreas de preservação permanente (APPs), a conduta é classificada como infração grave, com penalidades que superam R$ 50 mil, além de embargo da área e a obrigação de recuperação ambiental.
Orientações
 A colaboração dos cidadãos é fundamental para conter incidentes. Veja abaixo as principais orientações de utilidade pública.
► Evitar o uso do fogo
Não utilizar chamas para limpeza de terrenos rurais e não queimar lixo, restos de poda ou folhas secas.
► Descarte seguro
Não atirar bitucas de cigarro em áreas de vegetação ou margens de rodovias.
► Cuidados com faíscas
Evitar fogueiras e fogos de artifício próximos a áreas verdes.
► Cuidados de saúde
Beber água para manter a hidratação, umidificar ambientes internos, evitar desperdícios no uso da água e reduzir a exposição direta ao sol nos períodos mais quentes do dia, entre as 10h e as 16h.
► Ao avistar um foco de incêndio ativo, a orientação é manter distância da área de risco e acionar o telefone de emergência 193, informando o endereço exato ou pontos de referência. Denúncias sobre infrações ambientais e queimadas irregulares podem ser feitas pelos canais telefônicos como o 162.
Repórter Brasília/Agência Brasília

O último dia de agosto é marcado por contrastes extremos no país, com previsão de temporais e alerta de perigo na Região Sul — onde Curitiba pode alcançar 35°C e Porto Alegre não passa dos 19°C —, enquanto o Centro-Oeste e o Norte enfrentam calor intenso de até 41°C em capitais como Cuiabá e Porto Velho, combinados com tempo seco e chuvas isoladas em outras regiões.

Devido à persistência do calor e do tempo seco, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu, hoje (31), dois alertas. O primeiro, um aviso amarelo de perigo potencial para baixa umidade [INMET – Avisos] abrange extensas áreas em 11 unidades federativas (BA; DF; GO; MA; MT; MS; MG; PA; PE; PI e SP) onde a umidade relativa do ar pode variar entre 30% e 20%, com riscos à saúde e de incêndios florestais.

O segundo alerta, laranja, abrange outras regiões em dez unidades federativas (BA; DF; GO; MT; MS; MG; PA; RO; SP e TO), nas quais a umidade relativa do ar pode variar entre 20% e 12%.

O ar muito seco dificulta a dispersão de gases poluentes e resseca as mucosas das vias aéreas, o que, segundo o Ministério da Saúde [RECOMENDAÇÕES FEDERAIS] facilita crises de asma, alergia, além de infecções virais e bacterianas. Associado às altas temperaturas, o tempo seco também potencializa queimadas e incêndios florestais. Nestes casos, é necessário beber bastante água; evitar atividades físicas ao ar livre e a exposição ao sol entre 10h e 17h; procurar um posto médico em caso de problemas respiratórios; evitar banhos com água quente e, se necessário, usar hidratante.

Quando a umidade fica entre 21% e 30%, a Defesa Civil pode decretar o estado de atenção. Caso o indicador caia mais, pode ser decretado o estado de alerta, que ocorre com umidade entre 12% até 20%, ou o estado de emergência, para índices abaixo dos 12%.

Saiba mais detalhes de acordo com o boletim meteorológico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para esta segunda-feira (31) em cada região do país:

Região Sul: As chuvas não dão trégua e espera-se grandes contrastes de temperatura entre os estados da região. Ocorrem chuvas com trovoadas desde o centro-sul e oeste do Paraná até o sul do Rio Grande do Sul. Há céu encoberto com temporais no sul do Paraná, em todo o estado de Santa Catarina e no centro-norte do Rio Grande do Sul, incluindo Porto Alegre. O Inmet mantém para esta segunda-feira o aviso laranja de perigo para tempestades em todo o estado de Santa Catarina, norte e oeste do Rio Grande do Sul e também para o leste e o centro do Paraná. Curitiba pode atingir 35°C, enquanto Porto Alegre não passa dos 19°C.

Região Norte: Aumento da instabilidade com pancadas de chuva e trovoadas isoladas no oeste e norte do Amazonas. Chuvas isoladas também no Acre, nas demais áreas do Amazonas, e no centro-oeste e norte de Rondônia e Roraima. Sol e poucas nuvens no Tocantins e centro-sul do Pará. Forte calor à tarde, com máximas de até 37°C em Manaus, 39°C em Palmas e 41°C em Porto Velho. A mínima prevista entre as capitais da região deverá ocorrer em Rio Branco (AC), onde a temperatura pode atingir os 22ºC.

Região Nordeste: Ocorrem pancadas de chuva isoladas no litoral leste (pegando do litoral norte da Bahia até o Rio Grande do Norte, incluindo Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba) e no agreste desses estados. O centro-norte do Ceará, norte do Piauí e Maranhão, e o litoral sul da Bahia ficam com muitas nuvens, mas sem chuva. Céu com poucas nuvens em grande parte da Bahia, oeste de Pernambuco e da Paraíba, sul do Ceará e centro-sul do Piauí e Maranhão. Temperaturas em elevação no interior do Nordeste. A máxima pode chegar a 39º C em Teresina, enquanto a mínima prevista (21ºC) entre as capitais nordestinas podem ocorrer em Salvador e Maceió.

Região Centro-Oeste: As pancadas de chuva se espalham por Mato Grosso do Sul (apenas o nordeste do estado fica sem chuva, com muitas nuvens). Muitas nuvens também no noroeste, oeste e sul de Mato Grosso e no sul de Goiás. Sol e poucas nuvens nas demais áreas. Nas áreas onde predomina o tempo seco, como o Distrito Federal, a tendência é forte elevação das temperaturas, com possibilidade de a temperatura máxima chegar a 41ºC em Cuiabá

Região Sudeste: Muitas nuvens no sul e oeste de Minas Gerais e em São Paulo, com possibilidade de chuvas isoladas no oeste, centro e sul paulista. Céu com poucas nuvens nas demais áreas. O calor continua intenso na capital paulista, com máxima de 36°C.

Conexão Digital Brasília/Agência Brasil