Ação coordenada pelo Corpo de Bombeiros pode mobilizar a até 1,5 mil militares por dia, com 35 viaturas exclusivas, dois aviões, um helicóptero e drones para proteger o Cerrado durante a seca

O Governo do Distrito Federal (GDF) lançou, nesta terça-feira (26), em frente ao Palácio do Buriti, a Operação Verde Vivo 2026. Coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), a iniciativa reforça a prevenção, o monitoramento e o combate aos incêndios florestais durante o período de seca. O Distrito Federal está em estado de emergência ambiental, declarado pelo Decreto nº 48.599, de 14 de maio de 2026, para o período entre abril e dezembro deste ano.
Presente na solenidade, a governadora Celina Leão afirmou que a prevenção será decisiva para enfrentar a seca no DF. O alerta se soma à previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) de formação do El Niño no segundo semestre de 2026, fenômeno que pode reduzir as chuvas e elevar as temperaturas no Centro-Oeste. “Este é o ano em que temos que trabalhar na prevenção. Todos os anos, os bombeiros vão para a linha de combate, mas em 2026 o desafio será maior e já está pré-anunciado”, disse.

O efetivo e as viaturas serão mobilizados de forma gradual, conforme a demanda da operação. Diariamente, de 170 a 200 bombeiros atuarão exclusivamente no combate a incêndios florestais, distribuídos em 12 postos, além das 33 unidades operacionais da corporação no DF. Em grandes ocorrências, o efetivo mobilizado pode chegar a 1,5 mil militares por dia, somando reforços do expediente administrativo e do serviço operacional. A estrutura prevê até 35 viaturas exclusivas para combate a incêndios florestais no DF, além de sopradores, mochilas costais, abafadores, motobombas e ferramentas para atuação em vegetação. O apoio aéreo conta com dois aviões Air Tractor, um helicóptero e drones.
A governadora defendeu o reforço da conscientização da população para evitar queimadas provocadas por descuido ou ação criminosa. “A nossa missão hoje é pedir ajuda para que as pessoas coloquem a mão na consciência e não coloquem fogo de qualquer jeito. No ano passado, sofremos com incêndios provocados pelo homem, por falta de cuidado, falta de zelo e, em alguns casos, de forma intencional, criminosa”, afirmou Celina Leão.
Trabalho efetivo

Em 2025, a Operação Verde Vivo registrou redução média de 24,07% no número de ocorrências e de 28,73% na área queimada em relação a 2024, segundo balanço do CBMDF. O comandante-geral da corporação, coronel Moisés Alves Barcelos, reforçou que o combate aos incêndios depende da participação da sociedade. “Quase 100% dos incêndios florestais combatidos pelo Corpo de Bombeiros nos últimos anos são de causa humana. Então, evite colocar fogo, evite fazer queimadas e sempre acione o Corpo de Bombeiros. Qualquer dúvida, nos chame. A gente está pronto para orientar”, disse.
O secretário de Segurança Pública, Alexandre Patury, afirmou que a educação ambiental é um dos pontos centrais para evitar novos incêndios durante a seca. Segundo ele, a maior parte das ocorrências é causada por ação humana. “A gente não tem ignição espontânea aqui no DF neste período de seca, não tem raio, não tem nuvem. Praticamente todos os incêndios ocorrem por ação humana. Por isso vem a preocupação com a educação: não colocar fogo no lixo, não fazer queimada sem saber, porque isso vira incêndio”, alertou.
Patury também destacou a necessidade de participação da população na prevenção e no acionamento das forças de segurança. “Se alguém identificar uma pessoa fazendo queimada, colocando fogo em lixo ou fazendo qualquer tipo de fogueira em área de risco, que notifique o Corpo de Bombeiros ou a polícia para que a gente tenha pronta intervenção. Os bombeiros estão equipados e preparados, mas a responsabilidade é de todos nós”, pontuou.
Operação Verde Vivo 2026

A Operação Verde Vivo integra o Plano de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (PPCif), que reúne órgãos responsáveis por reduzir riscos, proteger unidades de conservação e atender ocorrências de fogo em vegetação. Além do CBMDF, participam a Secretaria do Meio Ambiente (Sema-DF), o Jardim Botânico de Brasília, o Brasília Ambiental, a Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e a Secretaria de Saúde (SES-DF). A operação conta ainda com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela gestão de unidades de conservação federais no DF.
As ações estarão concentradas em áreas de conservação ambiental, unidades de preservação, regiões rurais e locais historicamente mais suscetíveis a incêndios florestais no DF, com atenção às áreas de interface urbano-florestal e ao entorno do Cerrado. As equipes atuam em monitoramento, educação ambiental, abertura e manutenção de aceiros, orientação a comunidades rurais e pronto atendimento aos focos de incêndio. Aceiros são faixas de terra sem vegetação, abertas para barrar o avanço do fogo.
O PPCif prevê, ainda, campanhas educativas, ações com estudantes e abordagens à população em áreas próximas a unidades de conservação. Uma das frentes do plano alerta moradores, motoristas, produtores rurais e visitantes sobre os riscos da queima irregular de lixo, entulho e restos de poda.
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