Iniciativas Todos Contra a Fome e Desperdício Zero distribuem cestas verdes e beneficiam famílias em situação de vulnerabilidade; de março a setembro deste ano, a iniciativa já destinou mais de 234 toneladas de produtos hortícolas

A cesta repleta de verduras, frutas e legumes que chega na mesa da dona de casa Antônia Ferreira de Abreu, de 69 anos, é o que traz segurança alimentar para ela e a filha. A família é uma das beneficiadas pelas iniciativas do Banco de Alimentos das Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF), que atua no combate à insegurança alimentar por meio de dois programas criados pelo Governo do Distrito Federal (GDF): o Todos Contra a Fome e o Desperdício Zero.

Enquanto um compra produtos da agricultura familiar para montar cestas verdes, o outro distribui os produtos hortícolas que perderam valor comercial, mas continuam próprios para o consumo. Com a cesta verde, Antônia tem condições de diversificar a alimentação. Entre os alimentos que mais gosta de receber estão as frutas. “É muito bom porque eu não tenho como comprar verdura, o dinheiro não dá. A gente paga as contas e fica sem nada, então me ajuda muito. Eu preciso e agora sempre tenho na geladeira. Faz diferença para todos nós”, afirma.
Ajuda a quem precisa
O programa Todos Contra a Fome funciona por meio da compra de verduras, legumes e frutas de agricultores familiares cadastrados. Os alimentos são organizados em cestas verdes, elaboradas com orientação da nutricionista do Banco de Alimentos, e encaminhados a instituições sociais que atendem famílias em situação de vulnerabilidade.
O Programa Desperdício Zero (PDZ), por sua vez, recolhe alimentos doados por produtores e comerciantes da Ceasa-DF. Os produtos são encaminhados ao Banco de Alimentos, onde passam por uma seleção para verificar quais continuam próprios para consumo. Em seguida, são distribuídos às instituições cadastradas. De março a setembro de 2026, o programa registrou a destinação de 234.077 quilos de alimentos.
“É de suma importância o investimento do GDF nesse projeto, porque a gente combate uma questão que não está presente apenas no Distrito Federal, mas em todo o Brasil: a fome e a insegurança alimentar”, Cleison Wellington Gonçalves de Oliveira, presidente do Banco de Alimentos da Ceasa-DF

A coleta ocorre nas feiras realizadas às segundas e quintas-feiras, quando há maior volume de produtos, e também nos boxes que funcionam ao longo da semana. As entregas às instituições são realizadas de acordo com a disponibilidade dos alimentos. No caso do Todos Contra a Fome, a distribuição ocorre a cada 15 dias, com a compra de produtos da agricultura familiar e a montagem das cestas verdes.
Diversidade à mesa
Para o presidente do Banco de Alimentos da Ceasa-DF, Cleison Wellington Gonçalves de Oliveira, os dois programas têm funções complementares: enquanto o Desperdício Zero evita que alimentos próprios para consumo sejam descartados, o Todos Contra a Fome amplia o mercado para pequenos produtores e garante o fornecimento de produtos frescos às famílias atendidas.
“É de suma importância o investimento do GDF nesse projeto, porque a gente combate uma questão que não está presente apenas no Distrito Federal, mas em todo o Brasil: a fome e a insegurança alimentar”, afirma. Cleison ressalta que, embora muitas famílias consigam comprar itens básicos como arroz e feijão, as frutas, verduras e legumes podem ficar fora das compras quando o orçamento é insuficiente. Segundo ele, a cesta verde contribui para diversificar a alimentação, combater a desnutrição e até prevenir doenças.
Associações ampliam o alcance das doações
O Banco de Alimentos da Ceasa-DF também mantém parceria com organizações sociais que conhecem as comunidades atendidas e organizam a entrega de cestas às famílias. Em Sobradinho II, a Associação Núcleo Base de Futebol G-10 atua nas áreas de esporte, cultura e saúde desde 1995. De acordo com o coordenador de projetos, Laylton Costa Torres, 46, a instituição participa do Todos Contra a Fome e atende aproximadamente 90 famílias com os alimentos recebidos.

“A maior preocupação hoje de um pai de família é ter segurança alimentar. A gente vê como muito importante esse trabalho e entende que tem um papel em ajudar nesse processo”, afirma Laylton. Um dos atendidos pelo projeto é o administrador Venicius Gomes, de 58 anos, que ajuda na distribuição. Ele destaca a visibilidade que a parceria carrega: “Tem muita gente que está sofrendo e às vezes não tem coragem de pedir ajuda, então, quando a gente chega com uma cesta dessa, a gente vê no rosto das pessoas a alegria de poder ajudar”.
No Gama, o projeto Capoeira para Todos, ligado à Associação Capoeiristas do Rei, também redistribui itens do Banco de Alimentos, atendendo cerca de 800 famílias. Segundo o fundador da iniciativa, Pedro Telles de Araújo, 46, a parceria fortalece o trabalho social desenvolvido e complementa o trabalho esportivo, já que os participantes precisam de alimentação adequada para sustentar a rotina de treinos.
“Quando eles terminam de treinar e saem com a sacolinha de verduras e frutas, os olhos deles se enchem de alegria”, conta. Pedro também relembra que, antes de ter acesso à parceria, já precisou buscar alimentos descartados no Ceasa-DF para levar para casa. A experiência, segundo ele, reforça a importância de manter iniciativas que permitam o aproveitamento dos alimentos e a distribuição para quem precisa.
Freelancer e praticante de capoeira no projeto, Pedro Braga, 33, é atendido pelo programa da Ceasa-DF e aponta as mudanças em casa: “mesmo com meu trabalho e com meu irmão empregado com carteira assinada, a gente se esforçava bastante para conseguir complementar o básico de casa para quatro pessoas. Ficava muito pesado, eram cerca de R$ 400 a mais. A ajuda contribuiu bastante para a gente”. Segundo Pedro, além de complementar as refeições, os produtos contribuem na energia para os treinos de capoeira e para as atividades profissionais. E, quando há alimentos excedentes, ele também consegue compartilhar com vizinhos que enfrentam dificuldades.
Dona Antônia, citada no início da matéria, é atendida pela Associação dos Amigos dos Autistas do Distrito Federal (AMA-DF). A presidente da instituição, Zenalha Alves da Silva, afirma que cerca de 600 famílias já foram beneficiadas pela parceria com o GDF. “Desde que começou, houve mudanças muito significativas na vida de quem conta com esse projeto. Uma barriguinha cheia renova as esperanças em todas as esferas da vida”, avalia.
Como participar
A seleção dos agricultores familiares ocorre por meio de editais publicados a cada três meses. Os produtores interessados precisam apresentar a documentação exigida e, após a aprovação, podem fornecer os alimentos ao Banco de Alimentos.
As instituições sociais também podem se cadastrar para receber os produtos. O procedimento é feito pelo site da Ceasa-DF — https://www.ceasa.df.gov.br/ —, com envio da documentação necessária. Depois, a equipe realiza uma visita à organização e, caso seja aprovada, ela passa a integrar o sistema de rodízio para recebimento das doações.
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